Archive for the ‘Canadá’ Category

Sobre tradições e Godzilla

Estou viva. Não que alguém esteja de fato seguindo este blog e se perguntando “Ai meu Deus, cadê ela?”, é só mais uma forma de dizer mesmo. Voltei por um motivo nobre, para falar de uma paixão imensa que tenho que controlar aqui pelas bandas canadenses. A comida.

Primeiro de tudo queria falar que não, não sei o que a famosa cozinha canadense prepara. E na verdade quando mais culturas diferentes eu descubro, vejo que é tudo balela essa coisa cozinha tradicional. Estou tentando seguir nesse raciocínio para todas vez que me perguntarem sobre comida brasileira, responder algo diferente, como vatapá, feijão com arroz, acarajé, churrasco, bobó de camarão, bife com batata frita… O difícil vai ser a guerra com o inglês pra explicar aipim, azeite de dendê, feijão fradinho e por aí vai…

Fora que a comida muda de textura, de gosto, de cheiro e de tamanho quando muda de país. Exemplo. Dizem que em Vancouver tem mais restaurante japonês do que no Japão. Não, na verdade sou eu que estou dizendo isso, mas é porque tem muitos mesmo, um do lado do outro, é super fácil encontrá-los. Uns colegas me levaram em um que não tinha sashimi, me recusei a entrar. Como não tem sashimi, minha gente? Logo na frente tinha outro, com sashimi, sentamos e fizemos o pedido. Qual não é o meu espanto quando chega meu humilde pedido com rolls e sashimis. Fiquei na dúvida se era sashimi mesmo ou se era só o peixe inteiro sem escama. Ou se de repente era uma versão Super Size Me japa, um Sashimizilla, sei lá, muitos apelidos, olha o tamanho do pedaço do limão, minha gente!

Os rolls também não ficaram pra trás, gigantes de quase não caber na boca.  Eis que na semana seguinte fui até minha colega de classe japonesa e mostrei duas fotos: uma do sashimi de Itu e outra de um rodízio que fui na Liberdade em Abril. Ela afirmou com todas as letras que a versão brazuca é bem similar à japonesa. Então já sabem, quando quiserem comer comida japonesa for a do Japão, o Brasil é o lugar. #ficadica

Vancouver muito tem me interessado também pela quantidade de produtos orgânicos e integrais que vejo nos mercados, demonstra bem essa atmosfera sustentável que eles tentam passar all the time. Porém contudo todavia entretanto, o preço não é nada amigável, mas isso é pra tudo por aqui, não seria diferente. Apesar de que os preços de um Mercado pro outro mudam e muito, antes de comprar tento sempre dar uma pesquisada, não só economizo um pouco de produto em produto como acabo encontrando promoções. Adoro.

 

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Caminho sem volta

O passeio programado era por Coal Harbour, amanheceu nublado e chuvoso e, no momento que eu ia trocar os planos, o sol abriu. Saí então num tal de bota casaco, tira casaco danado. Andando pelo bonito caminho à margem do mar, fui parar na entrada do Stanley Park, onde estive no dia anterior no Vancouver Aquarium. Resolvi andar mais um pouco. O tempo meio fechado ajuda nessas horas, você tem mais fôlego para continuar. E continuei. É bem bonita a paisagem, imagino que fique mais bonita ainda com o céu aberto e o mar refletindo o azul. Tudo muito limpo, organizado, canadense.

Passando pela área dos Totens, parei para observar, sempre quis entender direito o significado deles. E parece que cada um tem um. Num geral são guardiões, representam algum fato real ou místico cheio de significados para as famílias que os têm.

Depois dos Totems vi um caminho e pensei “vamos ver aonde dá”. E continuei a andar. O tamanho do parque é ridiculamente grande, nas minhas contas foi cerca de 10-12km andando ao redor dele. Não recomendo. A não ser que você esteja fazendo exercícios, o que não era o meu caso de calça jeans e all star. Do contrário, saiba bem onde está entrando, porque pode não ter volta. Ou melhor, a volta pode ser tão longe quanto o caminho à frente, se bem que foi com esse raciocínio que segui adiante e pude tirar essas fotos. ;)

You may now travel to Canada

53 dias depois de dar entrada no processo de visto, finalmente, APROVADO! Em junho tudo muda de novo, dessa vez em Vancouver e no verão. O curso escolhido dessa vez está dentro do programa de Educação Continuada na Universidade de British Columbia, a segunda maior do Canadá. Serão dois meses com estudo e estágio. Na famosa carta de aceitação a UBC requer um visto de estudo/ trabalho, mesmo sendo menos de 6 meses. Depois de muito pesquisar na internet (e não encontrar nenhum blog que falasse de um caso assim, by the way) achei no site do Centro de Imigração Canadense uma parte onde dizia que, mesmo não sendo necessário, o estudante pode SIM requisitar um visto de estudo para cursos com menos de 6 meses. Recomendam também que você escreva uma carta explicando a razão pela qual está optando por esse tipo de visto. No meu caso, e acredito que seja a maioria, expliquei que pretendia realizar um curso maior após este, como um mestrado, por exemplo. É bom ficar ligado nas possibilidades que você tem em cada visto:

V1 – Visto de visitante para até 6 meses (turismo)

Sx – 1 – Visto de Visitante com permissão de estudos para até 6 meses (mediante apresentação de carta da escola)

S-1-Visto de Estudante para mais de 6 meses (mediante apresentação de carta da escola com matrícula por período igual ou superior a 6 meses de curso)

Sw-1- Visto de estudante para mais de 6 meses com permissão de trabalho (mediante carta da escola com matrícula em programas de estudo/trabalho com no mínimo 6 meses de duração)

Wx-1- visto de negócios (vai a trabalho, mas não para trabalhar )

W-1 – visto de permissão de trabalho (mediante contrato com empresa previamente autorizada pelo governo canadense e após o candidato ser aprovado no LMO (Labour Maket Opinion) ou HRSDC (Human Resources and Social Development Canada)

Fonte: http://rafacanada.com.br

Com tempo, resolvi fazer minha application via VAC (Centro de Requerimentos de Vistos), que terá um post especial, e 53 dias contados no calendário desenhado na parede (ok, menos) fui buscar o passaporte com meu visto lindinho lá colado. :)

Hora de atravessar a ponte

Do Rio para Toronto. Oh, sorry.

Primeira experiência internacional não é mole não. Ainda mais sozinha. Em um momento você se dá conta de que se acontecer alguma qualquer coisa você não pode simplesmente ligar pra pessoa mais próxima e pedir ajuda. É difícil para uns, para outros é desafiador, é libertador. É por esse ângulo que eu tento imaginar.

Já faz um tempo que fui a Toronto, então pode ser que as lembranças mais fortes é que tenham se enraizado em mim, mas me recordo muito bem da luta entre a estranheza do lugar novo e seu conforto. Essas duas brigavam o tempo inteiro.

Como escolhi só ter aulas pela manhã, podia ficar o resto do dia fazendo passeios pela cidade toda… basicamente a pé. Pegava meu mapa e fazia os traçados na cabeça, me perdia, abria o mapa novamente, pensando sempre em repetir a cena do Joey em Londres:

– I might have to GO in the map!

Meu mapa lindo

O tempo inteiro sentia a diferença cultural, desde o atravessar a rua com o famoso sorry. Sim, sorry. Desculpas. All the time. Na primeira semana você acha bacana, quase se emociona com a educação alheia de pedir desculpas por esbarrar tão sutilmente em você. Porém, a partir da segunda semana enche a porra do saco. Não o bastante pra reclamar do pedido de desculpas, claro, aí é falta de educação. Mas incomoda esse verdadeiro excesso de zelo com alguém desconhecido.

Todo mundo fala do grande choque cultural quando voltamos. Cheguei tão anestesiada da dor (paradoxal) da volta que nem pensei sobre isso… Andava aérea no aeroporto (há) de Guarulhos, com a cabeça ainda na viagem, quando um sujeito apressado e mal educado deu um encontrão em mim. Nada de desculpas? Ok, ali estava meu choque cultural. Tinha voltado pra casa.

Hockey Hall of Fame

Quando fui para o Canadá sofri uma certa pressão para conhecer museus e locais que iriam me enriquecer culturalmente. Fui ao Royal Ontario Museum, ao Art Gallery of Ontario e ao Ontario Science Centre. Mas o que me interessava mesmo era o museu que tinha pertinho do curso. Tão perto que… eu me perdi. Pensando que se eu fosse turista no Rio de Janeiro certamente visitaria o Maracanã (bem, não em obras, né…) o museu do hockey parecia apropriado.

Logo de cara há uma estátua onde parece a entrada, por isso a confusão. Eu ia da York street, bastava virar à esquerda e era logo na segunda rua, a Yonge street. Enfim, pelo que lembro a entrada era de um outro lado pelo BCE Place, uma espécie de galeria/complexo comercial com visual de tirar o fôlego.

Finalmente encontrei a entrada para o museu. Você pode passar na gift shop antes ou depois, dá pra gastar um dinheiro por lá, é bem caro. Um puck do Maple Leafs custava 15 dólares! Achei uma solução mais justa uns dias depois: comprei um puck por 0.99 cents na Sportscheck e uma cartela de adesivos dos Maple Leafs por 4 dólares, voilá!

Finalmente lá dentro consegui ter um pouco da noção da dimensão do esporte para os canadenses. Primeiro você segue uma sequência histórica que, mesmo vindo de um país onde o hockey é inexistente não se entende muito bem, dá pra ler e entender um pouco do esporte e da famosa Stanley Cup. Tem também uma reconstituição de um vestiário do Montreal Canadiens com uniformes, acessórios de proteção etc.

Uma das partes mais bacanas era a área chamada de Broadcast zone. Com um painel de vídeos você monta eles como se estivesse televisionando ao vivo. Basta clicar na tela e escolher as imagens que deseja transmitir fingir que transmite. Entretenimento não falta ali. Tem Playstation, uma espécie de totó de hockey, quis pra testar os conhecimentos do esporte além do prato principal: a Player zone. Num falso ringue você pode tanto “chutar” a gol quanto defender. Parecia bem divertido, mas não me arrisquei. Tinha fila.

Como nas Olimpíadas de Inverno de 2010 o Canadá ganhou dos EUA numa final emocionante no hockey, foi criado uma área especial para relembrar o feito no museu. Nesse Esso theatre passava momentos da partida enquanto o puck da vitória ficava exposto para os visitantes.

Recomendo muito essa visita, principalmente porque acredito que nós brasileiros agimos como se o futebol fosse o centro do mundo. Vale à pena conhecer outras culturas, outros esportes, outras paixões.