Archive for the ‘Esporte’ Category

Acordei, já é 2016?

Eu estava com fome, queria descer logo pra almoçar, pois tinha uma apresentação importante para entregar e não podia ficar no escritório o dia todo até muito tarde, o show da Maria Rita na Fundição me esperava. Quando ligaram a televisão era a hora exata. Quer dizer, só mais alguns apertos de mão aqui e ali, discursos evasivos e puxações de saco enquanto o escritório inteiro se aperta na pequena sala com tv, o que não é surpreendente em se tratar de uma empresa de gestão esportiva. Prefeito, governador, presidente… Representantes do esporte também estavam reunidos quando o COI anuncia: Rio de Janeiro. A partir daquele momento o cronômetro de todos os cariocas dispararam. Quanto falta mesmo pras Olimpíadas?

Saí do trabalho delirando de felicidade – e atrasada, lógico. Assim como nós brasileiros estamos agora. Em 2012, atrasados. E não estou falando de obras, mas de visão esportiva mesmo. Não me venha com essa de que o Brasil é sinônimo de esporte, que temos grandes esportistas, pois nós temos jogadores de futebol, eles são um nicho, não o todo. E não, desculpa derrubar seu castelinho, mas o mundo não acha que somos o máximo em esportes por causa do Pelé ou Ronaldo. E o mundo não se importa só com futebol.

Saindo o máximo que posso do papo político e partindo pro lado prático de uma Olimpíada, me diga: quantas medalhas de ouro você acha que o Brasil ganha em 2016? Tempo.

Mais um pouquinho.

Ok, cansei de esperar. Aposto que você disse futebol masculino, vôlei masculino e feminino, vôlei de praia masculino e feminino, vela, pelo menos uma no Judô e quem sabe o Cielo na natação. Acertei? Enfim, não interessa. Agora pensa, lá em Atenas, 12 anos antes do Rio 2016, os esportes se repetem, não? É aí que mora o perigo. Será que 12 anos não serão suficientes para investir em outros esportes? Certeza que o judô está crescendo e o Cielo não está sozinho, existe o Fratus e o próprio Thiago Pereira, mas a gente conhece suas caras e histórias quando estão para entrar no tatame ou aguardando o “em suas marcas”, à beira da piscina, e o comentarista mostra sua “ficha”.  E há algo de muito errado nisso. Vai ser lindo em 2016 nós, brasileiros, reconhecendo os atletas na abertura. Não digo que temos que bater os Estados Unidos ou a China, mas simplesmente não entra na minha cabeça essa subvalorização do esporte em geral e supervalorização do futebol. Como se todos os nossos problemas acabassem se o Brasil é campeão do mundo da FIFA de novo e piorassem quando somos eliminados, mesmo sabendo que a outra equipe é melhor. E olha que eu gosto de futebol, muito.

Por que ao invés de ficarmos fissurados durante 4 anos em um só esporte, não nos importamos em conhecer outros tantos, também de 4 em 4 anos? E que de 2012 até 2016 seja um exemplo a ser seguido no próximo ciclo olímpico também. Não pelos ouros em si, mas pelo prazer de ter a vida recheada de diferentes modalidades esportivas.

Hockey Hall of Fame

Quando fui para o Canadá sofri uma certa pressão para conhecer museus e locais que iriam me enriquecer culturalmente. Fui ao Royal Ontario Museum, ao Art Gallery of Ontario e ao Ontario Science Centre. Mas o que me interessava mesmo era o museu que tinha pertinho do curso. Tão perto que… eu me perdi. Pensando que se eu fosse turista no Rio de Janeiro certamente visitaria o Maracanã (bem, não em obras, né…) o museu do hockey parecia apropriado.

Logo de cara há uma estátua onde parece a entrada, por isso a confusão. Eu ia da York street, bastava virar à esquerda e era logo na segunda rua, a Yonge street. Enfim, pelo que lembro a entrada era de um outro lado pelo BCE Place, uma espécie de galeria/complexo comercial com visual de tirar o fôlego.

Finalmente encontrei a entrada para o museu. Você pode passar na gift shop antes ou depois, dá pra gastar um dinheiro por lá, é bem caro. Um puck do Maple Leafs custava 15 dólares! Achei uma solução mais justa uns dias depois: comprei um puck por 0.99 cents na Sportscheck e uma cartela de adesivos dos Maple Leafs por 4 dólares, voilá!

Finalmente lá dentro consegui ter um pouco da noção da dimensão do esporte para os canadenses. Primeiro você segue uma sequência histórica que, mesmo vindo de um país onde o hockey é inexistente não se entende muito bem, dá pra ler e entender um pouco do esporte e da famosa Stanley Cup. Tem também uma reconstituição de um vestiário do Montreal Canadiens com uniformes, acessórios de proteção etc.

Uma das partes mais bacanas era a área chamada de Broadcast zone. Com um painel de vídeos você monta eles como se estivesse televisionando ao vivo. Basta clicar na tela e escolher as imagens que deseja transmitir fingir que transmite. Entretenimento não falta ali. Tem Playstation, uma espécie de totó de hockey, quis pra testar os conhecimentos do esporte além do prato principal: a Player zone. Num falso ringue você pode tanto “chutar” a gol quanto defender. Parecia bem divertido, mas não me arrisquei. Tinha fila.

Como nas Olimpíadas de Inverno de 2010 o Canadá ganhou dos EUA numa final emocionante no hockey, foi criado uma área especial para relembrar o feito no museu. Nesse Esso theatre passava momentos da partida enquanto o puck da vitória ficava exposto para os visitantes.

Recomendo muito essa visita, principalmente porque acredito que nós brasileiros agimos como se o futebol fosse o centro do mundo. Vale à pena conhecer outras culturas, outros esportes, outras paixões.