You may now travel to Canada

53 dias depois de dar entrada no processo de visto, finalmente, APROVADO! Em junho tudo muda de novo, dessa vez em Vancouver e no verão. O curso escolhido dessa vez está dentro do programa de Educação Continuada na Universidade de British Columbia, a segunda maior do Canadá. Serão dois meses com estudo e estágio. Na famosa carta de aceitação a UBC requer um visto de estudo/ trabalho, mesmo sendo menos de 6 meses. Depois de muito pesquisar na internet (e não encontrar nenhum blog que falasse de um caso assim, by the way) achei no site do Centro de Imigração Canadense uma parte onde dizia que, mesmo não sendo necessário, o estudante pode SIM requisitar um visto de estudo para cursos com menos de 6 meses. Recomendam também que você escreva uma carta explicando a razão pela qual está optando por esse tipo de visto. No meu caso, e acredito que seja a maioria, expliquei que pretendia realizar um curso maior após este, como um mestrado, por exemplo. É bom ficar ligado nas possibilidades que você tem em cada visto:

V1 – Visto de visitante para até 6 meses (turismo)

Sx – 1 – Visto de Visitante com permissão de estudos para até 6 meses (mediante apresentação de carta da escola)

S-1-Visto de Estudante para mais de 6 meses (mediante apresentação de carta da escola com matrícula por período igual ou superior a 6 meses de curso)

Sw-1- Visto de estudante para mais de 6 meses com permissão de trabalho (mediante carta da escola com matrícula em programas de estudo/trabalho com no mínimo 6 meses de duração)

Wx-1- visto de negócios (vai a trabalho, mas não para trabalhar )

W-1 – visto de permissão de trabalho (mediante contrato com empresa previamente autorizada pelo governo canadense e após o candidato ser aprovado no LMO (Labour Maket Opinion) ou HRSDC (Human Resources and Social Development Canada)

Fonte: http://rafacanada.com.br

Com tempo, resolvi fazer minha application via VAC (Centro de Requerimentos de Vistos), que terá um post especial, e 53 dias contados no calendário desenhado na parede (ok, menos) fui buscar o passaporte com meu visto lindinho lá colado. :)

Hora de atravessar a ponte

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Eat Street: comendo podrão

Meu mais novo vício televisivo é o canal Fox Life. Depois do Travel & Living channel, é onde eu mais busco programas inspiradores sobre duas paixões: comida e viagens. Dia desses parei no Eat Street programa que mostra o talvez mais renegado estilo gastronômico por aqui: o podrão. O que consigo entender é que barraquinhas e vendedores esbanjando carisma não são o suficiente para fazer do comércio informal gastrônomico um verdadeiro sucesso.

É necessário inovar e manter a qualidade do serviço não importa a condição de tempo ou lotação. Organização também parece ser prioridade, porque fico imaginando que sem uma linha de produção não é possível servir o prato do jeito que esses caras servem.

Separei uma receita sensacional: bolinhas de arroz com curry! Há! Sensacional! Fiquei com água na boca quando vi esse episódio…

Eles têm um app disponível para Android e Iphone para você encontrar o Food Truck com chilli fries, hot dogs, ou o que quer que você deseja, que esteja mais perto! Coisa linda!

Bacon Wagon

Sanduíche de carne assada com queijo

Do Rio para Toronto. Oh, sorry.

Primeira experiência internacional não é mole não. Ainda mais sozinha. Em um momento você se dá conta de que se acontecer alguma qualquer coisa você não pode simplesmente ligar pra pessoa mais próxima e pedir ajuda. É difícil para uns, para outros é desafiador, é libertador. É por esse ângulo que eu tento imaginar.

Já faz um tempo que fui a Toronto, então pode ser que as lembranças mais fortes é que tenham se enraizado em mim, mas me recordo muito bem da luta entre a estranheza do lugar novo e seu conforto. Essas duas brigavam o tempo inteiro.

Como escolhi só ter aulas pela manhã, podia ficar o resto do dia fazendo passeios pela cidade toda… basicamente a pé. Pegava meu mapa e fazia os traçados na cabeça, me perdia, abria o mapa novamente, pensando sempre em repetir a cena do Joey em Londres:

– I might have to GO in the map!

Meu mapa lindo

O tempo inteiro sentia a diferença cultural, desde o atravessar a rua com o famoso sorry. Sim, sorry. Desculpas. All the time. Na primeira semana você acha bacana, quase se emociona com a educação alheia de pedir desculpas por esbarrar tão sutilmente em você. Porém, a partir da segunda semana enche a porra do saco. Não o bastante pra reclamar do pedido de desculpas, claro, aí é falta de educação. Mas incomoda esse verdadeiro excesso de zelo com alguém desconhecido.

Todo mundo fala do grande choque cultural quando voltamos. Cheguei tão anestesiada da dor (paradoxal) da volta que nem pensei sobre isso… Andava aérea no aeroporto (há) de Guarulhos, com a cabeça ainda na viagem, quando um sujeito apressado e mal educado deu um encontrão em mim. Nada de desculpas? Ok, ali estava meu choque cultural. Tinha voltado pra casa.

A tal da ansiedade

Ansiedade. Essa palavra se coloca ao lado da palavra viagens como se fossem duas peças de Lego. Seja qual for o destino, seja qual for o objetivo, elas se atraem. E quanto mais você vai cavando a viagem, organizando seus elementos, tirando uns, adicionando novos ingredientes, a querida amiga-de-todas-as-horas ansiedade chega, deixando até o chão tremer.

E como controla? Ou não controla? Como faz pra ansiedade não ativar seu poder letal de meter seus pés pelas suas mãos e estragar tudo ou atrasar tudo ou dificultar tudo? Uma só palavra sustenta esse castelinho de Lego: organização. Nunca fui uma pessoa organizada. Bem longe disso (mesmo), mas gosto tanto da ideia que por muitas vezes me coloquei nesse lugar de quem é organizado pra saber a sensação e lhes digo uma coisa: é maravilhoso! Planilhas, cronogramas, post-its, lembretes, calendários, marca-textos e tantos outros instrumentos que, aqui, só irão aliviar o peso que a ansiedade trouxe para suas costas.

Conheço casos reais que se resolveram com essa solução, mas o foco é essencial. Sem ele não há organização que se sustente por muito tempo. Faça listas, enumere prioridades, estabeleça prazos para você mesmo, anote na agenda, celular, onde for mais fácil. E siga-os. Adaptar um prazo ou outro é normal, você não pode dominar tudo, e acontece mesmo de algumas coisas não seguirem o fluxo que planejamos, mas não deixe a exceção virar regra, por isso proponha prazos cabíveis, nada de sonhar nesse momento, ponha pé no chão.

Com o passar dos dias, semanas, a sua ansiedade tende a baixar e ficarão apenas os conflitos de última hora – o que é normal – e como você não estará mais no desespero poderá cuidar deles com tranqüilidade.

É isso. Bom planejamento e uma excelente viagem! E se nada disso der certo, calmante natural também ajuda!

Texto escrito de mim para mim.

“Honey, you can always sleep at home”

Eu falar sobre sono é quase como uma mãe falando de um filho. Ah sei lá, algo do tipo.

Adoro dormir. É uma das coisas que faço de melhor. Só de falar em sono eu já bocejo com gosto. Mas se tem uma coisa que eu não faço em viagem é dormir. Esse tema chegou a mim quando soube de uma amiga que viajou para a Itália e nas tantas viagens de trem que fez praticamente não ficava acordada! Não consigo entender isso.

Quando fui para o Canadá fiquei numa homestay cuja dona amava viagens, assim como eu, e me disse uma frase que levo pra vida: “Querida, dormir você dorme em casa.” Enfim, era mais ou menos isso.

E vamos deixar uma coisa clara aqui: não estou falando de cansaço. Super entendo que viagens acabam com a gente. É um tal de andar pra lá, andar pra cá, querer aproveitar tudo do local – dia, tarde, noite e madrugada afora. Descansar é preciso e quando a adrenalina de desbravar ao redor baixa se render é necessário.

Mas dormir em viagem é diferente. É anular o passear, o prazer de fazer valer aquelas horas no avião, ônibus ou o que seja, valerem à pena. Pense no tanto de coisa que pode estar acontecendo por ali que você simplesmente não se deu a oportunidade de estar presente.  Fez sentido? Pra mim fez.

Então quando bater aquela preguiça de levantar cedo (ou simplesmente levantar) pense na sua cama, na sua casa, com seu travesseiro e seu cobertor, e lembre-se de que você pode sempre dormir em casa.

Hockey Hall of Fame

Quando fui para o Canadá sofri uma certa pressão para conhecer museus e locais que iriam me enriquecer culturalmente. Fui ao Royal Ontario Museum, ao Art Gallery of Ontario e ao Ontario Science Centre. Mas o que me interessava mesmo era o museu que tinha pertinho do curso. Tão perto que… eu me perdi. Pensando que se eu fosse turista no Rio de Janeiro certamente visitaria o Maracanã (bem, não em obras, né…) o museu do hockey parecia apropriado.

Logo de cara há uma estátua onde parece a entrada, por isso a confusão. Eu ia da York street, bastava virar à esquerda e era logo na segunda rua, a Yonge street. Enfim, pelo que lembro a entrada era de um outro lado pelo BCE Place, uma espécie de galeria/complexo comercial com visual de tirar o fôlego.

Finalmente encontrei a entrada para o museu. Você pode passar na gift shop antes ou depois, dá pra gastar um dinheiro por lá, é bem caro. Um puck do Maple Leafs custava 15 dólares! Achei uma solução mais justa uns dias depois: comprei um puck por 0.99 cents na Sportscheck e uma cartela de adesivos dos Maple Leafs por 4 dólares, voilá!

Finalmente lá dentro consegui ter um pouco da noção da dimensão do esporte para os canadenses. Primeiro você segue uma sequência histórica que, mesmo vindo de um país onde o hockey é inexistente não se entende muito bem, dá pra ler e entender um pouco do esporte e da famosa Stanley Cup. Tem também uma reconstituição de um vestiário do Montreal Canadiens com uniformes, acessórios de proteção etc.

Uma das partes mais bacanas era a área chamada de Broadcast zone. Com um painel de vídeos você monta eles como se estivesse televisionando ao vivo. Basta clicar na tela e escolher as imagens que deseja transmitir fingir que transmite. Entretenimento não falta ali. Tem Playstation, uma espécie de totó de hockey, quis pra testar os conhecimentos do esporte além do prato principal: a Player zone. Num falso ringue você pode tanto “chutar” a gol quanto defender. Parecia bem divertido, mas não me arrisquei. Tinha fila.

Como nas Olimpíadas de Inverno de 2010 o Canadá ganhou dos EUA numa final emocionante no hockey, foi criado uma área especial para relembrar o feito no museu. Nesse Esso theatre passava momentos da partida enquanto o puck da vitória ficava exposto para os visitantes.

Recomendo muito essa visita, principalmente porque acredito que nós brasileiros agimos como se o futebol fosse o centro do mundo. Vale à pena conhecer outras culturas, outros esportes, outras paixões.